CIA. DE TEATRO OS SATYROS
DESDE 1989, O TEATRO COMO TERRITÓRIO DE INVENÇÃO, RESISTÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO
Fundada em 1º de abril de 1989, em São Paulo, por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, a Cia. de Teatro Os Satyros construiu, ao longo de mais de três décadas, uma das trajetórias mais singulares e consistentes do teatro brasileiro contemporâneo.
Com uma produção que ultrapassa 140 espetáculos, apresentações em 36 países e mais de 130 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais, Os Satyros desenvolveram uma linguagem artística própria, permanentemente aberta à experimentação e ao diálogo com as transformações do mundo.
Teatro, dramaturgia, performance, cinema, literatura, música, artes visuais, tecnologia, formação artística e ativismo urbano fazem parte de uma mesma trajetória.
Mais do que uma companhia teatral, Os Satyros se constituíram como uma plataforma permanente de criação, pensamento e transformação cultural.
1989 — O NASCIMENTO DE UMA COMPANHIA
Os Satyros surgem em São Paulo no final dos anos 1980, período de profundas transformações políticas, sociais e culturais no Brasil.
Seus fundadores, Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, iniciam uma parceria artística que se tornaria uma das mais longevas do teatro brasileiro.
O primeiro espetáculo da companhia, Aventuras de Arlequim, já demonstra a vocação do grupo para a pesquisa e para uma cena que não se submete facilmente às convenções.
A montagem recebe o Troféu APCA de Melhor Ator para Ivam Cabral e de Melhor Atriz Coadjuvante para Rosemeri Ciupak, além de indicação ao Prêmio Mambembe de Melhor Texto para Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.
No ano seguinte, a companhia apresenta Sades ou Noites com os Professores Imorais, trabalho que projeta Os Satyros nacionalmente e estabelece uma característica que atravessará sua história: a escolha por temas, linguagens e territórios que desafiam o pensamento convencional.
O TEATRO COMO ATO DE RESISTÊNCIA
Ainda nos primeiros anos, Os Satyros assumem a direção do Teatro Bela Vista, em São Paulo, transformando o espaço em um importante polo de produção e encontro artístico.
É nesse período que nasce o Folias Teatrais, evento que mantém o teatro aberto durante quatro dias e quatro noites, reunindo artistas das artes cênicas, música, literatura, jornalismo e artes visuais.
A experiência estabelece uma marca que permaneceria na identidade da companhia:
teatro não apenas como espetáculo, mas como espaço de convivência, encontro e resistência cultural.
OS SATYROS NO MUNDO
A internacionalização da companhia começa ainda na primeira década de sua existência.
Em 1992, com Saló, Salomé, Os Satyros são convidados para festivais em Portugal e na Espanha. A experiência conduz à criação de uma sede da companhia em Lisboa, que permaneceu ativa até 1999.
Em 1994, o grupo inaugura um núcleo em Curitiba.
A partir de 1997, estabelece também um braço em Berlim, na Alemanha, que permanece ativo até 2004.
A sede de Curitiba continua em funcionamento até 2009.
A experiência internacional deixa de ser uma circunstância episódica e passa a integrar estruturalmente a identidade da companhia.
A FILOSOFIA NA ALCOVA
Entre os trabalhos mais emblemáticos desse período está A Filosofia na Alcova, a partir da obra do Marquês de Sade.
A montagem ganha projeção internacional e percorre diferentes países, consolidando Os Satyros como uma companhia brasileira capaz de dialogar diretamente com importantes circuitos internacionais de teatro.
A experiência com a obra de Sade posteriormente se desdobra em outros trabalhos, formando a chamada Trilogia Libertina, composta por:
A Filosofia na Alcova
Os 120 Dias de Sodoma
Justine
A investigação da sexualidade, do poder, da liberdade, da violência e dos limites da experiência humana torna-se uma das linhas recorrentes da dramaturgia e da pesquisa artística dos Satyros.
2000 — A PRAÇA ROOSEVELT
Em dezembro de 2000, Os Satyros chegam à Praça Franklin Roosevelt, no centro de São Paulo.
Esse momento transforma profundamente não apenas a trajetória da companhia, mas também a história cultural da região.
Em uma praça então marcada pela degradação urbana, violência e abandono, o grupo passa a construir uma presença cotidiana e permanente.
O teatro começa a funcionar como instrumento de ocupação cultural da cidade.
A partir da presença dos Satyros e de outros artistas, a Praça Roosevelt passa gradualmente a receber novos teatros, companhias, bares, restaurantes, artistas e iniciativas culturais, tornando-se um dos principais polos de produção cultural e vida noturna de São Paulo.
Essa relação entre arte e cidade torna-se um dos elementos fundamentais da identidade da companhia.
Os Satyros não apenas apresentam teatro na Praça Roosevelt.
Os Satyros ajudaram a transformar a Praça Roosevelt em território cultural.
Em 2014, o trabalho da companhia é reconhecido pelo Conpresp, que declara Os Satyros Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade de São Paulo. No mesmo período, o grupo recebe a Salva de Prata, da Câmara Municipal de São Paulo.
O ESPAÇO DOS SATYROS
É nesse território que está instalada a sede da companhia:
Espaço dos Satyros
Praça Franklin Roosevelt, 214
Consolação — São Paulo/SP
O espaço é sede de temporadas, ensaios, processos de pesquisa, oficinas, encontros, debates, festivais e diferentes projetos culturais.
Mais do que um endereço, a sede representa uma forma de compreender a atuação artística:
ocupar a cidade, produzir cultura e criar espaços de encontro.
UMA OBRA EM PERMANENTE EXPANSÃO
Ao longo de sua história, Os Satyros produziram mais de 140 espetáculos, apresentados em 36 países, atravessando diferentes linguagens, estéticas e procedimentos de criação.
Entre os trabalhos que integram essa trajetória estão:
Aventuras de Arlequim
Sades ou Noites com os Professores Imorais
Saló, Salomé
A Filosofia na Alcova
Os 120 Dias de Sodoma
Justine
Vestido de Noiva
Roberto Zucco
Hipóteses para o Amor e a Verdade
Pessoas Perfeitas
Pessoas Sublimes
Pessoas Brutas
Cabaret Stravaganza
Pink Star
O Incrível Mundo dos Baldios
Transex
Mississipi
A Arte de Encarar o Medo
Uma Canção de Amor
As Bruxas de Salém
Peça para Salvar o Mundo
A Casa de Bernarda Alba
Quase Todos
e dezenas de outras criações.
A variedade do repertório revela uma companhia que nunca se restringiu a uma única estética.
O grotesco, o trágico, a comédia, a performance, o documental, a literatura, a cultura pop, a sexualidade, a política, a memória, a violência, a tecnologia e as relações humanas atravessam diferentes períodos da produção dos Satyros.
DRAMATURGIA
A dramaturgia ocupa posição central na identidade da companhia.
Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez desenvolveram uma extensa produção dramatúrgica ao longo de décadas, com textos encenados no Brasil e no exterior e publicados em diferentes formatos e idiomas.
A produção dramatúrgica dos Satyros também se tornou objeto de pesquisas acadêmicas, dissertações e teses em diferentes áreas do conhecimento.
A companhia entende a dramaturgia não apenas como literatura destinada ao palco, mas como ferramenta de investigação do presente.
AS TRILOGIAS
Entre os diferentes ciclos de criação desenvolvidos pela companhia estão a Trilogia Libertina, inspirada no universo do Marquês de Sade, e a Trilogia das Pessoas, composta por:
Pessoas Perfeitas
Pessoas Sublimes
Pessoas Brutas
A trilogia investiga diferentes dimensões da existência contemporânea, colocando em cena questões relacionadas à identidade, relações humanas, desejo, violência, solidão, pertencimento e transformação social.
SATYRIANAS
Se Os Satyros transformaram a Praça Roosevelt em território cultural, o Satyrianas — Uma Saudação à Primavera ampliou essa vocação para toda a cidade.
Criado pela companhia, o festival reúne teatro, dança, música, literatura, cinema, artes visuais, performance e diferentes manifestações artísticas.
Durante suas edições, a cidade transforma-se em palco e os espaços culturais em lugares de encontro.
O Satyrianas tornou-se um dos mais importantes eventos de artes da cidade de São Paulo, integrando o Calendário Oficial do Estado de São Paulo e o Calendário Oficial da Cidade de São Paulo.
Em sua trajetória, o festival já reuniu centenas de atrações e dezenas de milhares de espectadores.
O festival representa uma ideia fundamental para Os Satyros:
a arte não precisa esperar o público entrar no teatro. A arte pode sair para encontrar a cidade.
FORMAÇÃO — OFICINA LIVRE E SATYROS LABORATÓRIO
A atuação dos Satyros também se estende à formação de artistas.
A Oficina Livre de Interpretação Os Satyros é um dos principais projetos de formação da companhia e reúne processos de preparação, pesquisa e criação a partir das experiências acumuladas pelo grupo.
Dessa trajetória surgiu o Satyros Laboratório, núcleo de pesquisa cênica dedicado à experimentação e à criação.
O núcleo tem origem no Núcleo Experimental Os Satyros, criado em Portugal há cerca de três décadas. Ao longo de sua trajetória, diferentes artistas e pesquisadores participaram de seus processos.
Em 2016, o núcleo foi reestruturado em São Paulo e passou a se chamar Satyros Laboratório.
O LAB constitui um espaço fundamental para a continuidade da pesquisa da companhia e para o surgimento de novas gerações de artistas.
IVAM CABRAL
Cofundador, ator, dramaturgo, pesquisador e educador
Ivam Cabral é cofundador da Cia. de Teatro Os Satyros.
Ator, dramaturgo, pesquisador e educador, sua trajetória está diretamente ligada à construção artística e pedagógica da companhia.
Como dramaturgo e ator, participou de uma extensa produção teatral e recebeu diversos prêmios ao longo da carreira.
Sua atuação também ultrapassa a companhia e alcança a formação profissional em artes cênicas.
Ivam Cabral foi um dos fundadores da SP Escola de Teatro, instituição que se tornou uma referência na formação profissional em artes do palco.
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ
Cofundador e diretor artístico
Rodolfo García Vázquez é cofundador e diretor artístico da Cia. de Teatro Os Satyros.
Diretor, dramaturgo e pesquisador, desenvolve uma investigação permanente sobre as possibilidades da cena contemporânea.
Seu trabalho transita entre teatro, performance, tecnologia, audiovisual, telepresença e inteligência artificial.
A pesquisa sobre novas tecnologias vem sendo desenvolvida pelos Satyros há anos, acompanhando as transformações nos modos de comunicação, criação e percepção.
Essa trajetória desemboca em experiências recentes que aproximam a cena da inteligência artificial e de ambientes digitais.
TEATRO, TECNOLOGIA E FUTURO
A relação entre tecnologia e teatro tornou-se uma das linhas de investigação da companhia.
Os Satyros desenvolveram experiências envolvendo telepresença, ambientes virtuais, transmissão digital, audiovisual e inteligência artificial, investigando como novas tecnologias podem modificar a relação entre ator, personagem, espaço e espectador.
Em Peça para Salvar o Mundo, a companhia aprofunda essa pesquisa, incorporando inteligência artificial generativa e avatares interativos à experiência teatral.
O interesse não está simplesmente em utilizar tecnologia.
Está em perguntar:
o que acontece com o teatro quando a tecnologia transforma a maneira como percebemos a realidade?
CINEMA
A pesquisa dos Satyros não termina no palco.
Em 2014, a companhia fortalece sua atuação cinematográfica com a criação da Satyros Cinema, lançando o longa-metragem Hipóteses para o Amor e a Verdade.
Em 2017, apresenta A Filosofia na Alcova, segundo longa da produtora.
A experiência cinematográfica nasce diretamente da pesquisa teatral da companhia: espetáculos, personagens, dramaturgias e procedimentos desenvolvidos no palco passam a ser transformados em obras audiovisuais.
CINE SATYROS BIJOU
Em 2022, Os Satyros participam da reabertura de um dos espaços mais emblemáticos da história do cinema paulistano: o Cine Bijou, na Praça Roosevelt.
O espaço passa a funcionar como Cine Satyros Bijou — Sala Patrícia Pillar, retomando sua vocação como território de cinema de arte, pensamento e resistência cultural.
Inaugurado originalmente em 1962, o Cine Bijou teve papel importante na formação de gerações de cinéfilos, artistas e intelectuais e tornou-se conhecido por sua programação de cinema de arte e por sua resistência cultural durante a ditadura militar.
Com a reabertura, Os Satyros ampliam sua atuação para a sétima arte.
O cinema passa a integrar a mesma plataforma cultural que reúne teatro, formação, pesquisa e produção artística.
CINE SATYROS BIJOU — CELEIRO DO CINEMA BRASILEIRO
O compromisso com a produção nacional ganhou uma nova dimensão com o projeto Cine Satyros Bijou: Celeiro do Cinema Brasileiro, contemplado pelo Fomento CULTSP ProAC — Edital nº 08/2024 – Estímulo à Exibição de Filmes Brasileiros.
O projeto foi criado para ampliar a presença do cinema brasileiro na programação do espaço e fortalecer o Cine Satyros Bijou como lugar de circulação, encontro e formação de público para a produção audiovisual nacional.
O cinema também abriga mostras, festivais, debates, encontros com realizadores e atividades de formação.
Entre essas iniciativas está o Festival SatyriCine Bijou, dedicado à produção cinematográfica brasileira.
Em sua edição de 2024, o festival recebeu mais de 300 inscrições, reuniu filmes de diferentes estados brasileiros e promoveu sessões, debates, workshops e encontros culturais.
PRÊMIOS E RECONHECIMENTO
A trajetória dos Satyros foi reconhecida por alguns dos principais prêmios e instituições da cultura brasileira e internacional.
Entre os reconhecimentos recebidos pela companhia estão:
Troféu APCA
Prêmio Mambembe
Prêmio APETESP de Teatro
Troféu Gralha Azul
Prêmio Shell
Prêmio Bravo! Prime de Cultura
Prêmio APCA
Prêmio Villanueva — UNEAC, Cuba
Prêmio Jabuti — Melhor Livro de Arte
Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro
Prêmio Aplauso Brasil
Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade
The Good The@ter Festival Awards
Young-Howze Theatre Awards
Entre os trabalhos mais reconhecidos estão Pessoas Perfeitas, Pink Star, A Arte de Encarar o Medo, além de diferentes iniciativas da companhia.
Em 2014, o Satyrianas recebeu o Prêmio Shell na categoria Inovação.
Em 2015, Pessoas Perfeitas recebeu, entre outros reconhecimentos, o Prêmio Shell de Melhor Autor, o Aplauso Brasil de Melhor Texto e o APCA de Melhor Espetáculo.
Em 2018, Pink Star recebeu o Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Grupo.
Em 2020, The Art of Facing Fear / A Arte de Encarar o Medo recebeu os prêmios de Best Ensemble e Best Production no The Good The@ter Festival Awards.
Em 2021, o trabalho recebeu o Young-Howze Theatre Awards — Worldwide Award for Collaborative Work of the Year.
A relação completa de prêmios e nomeações inclui reconhecimentos desde 1989 e demonstra a continuidade da presença da companhia nos principais circuitos de reconhecimento teatral.
UMA COMPANHIA EM DIÁLOGO COM O SEU TEMPO
Ao longo de sua história, Os Satyros nunca se afastaram das questões urgentes de seu tempo.
A companhia já colocou em cena discussões sobre:
liberdade, sexualidade, violência, gênero, identidade, envelhecimento, solidão, política, religião, memória, desigualdade, tecnologia, relações humanas, cidade e futuro.
Mas a companhia não busca apenas representar essas questões.
Busca investigá-las.
Por isso, cada novo espetáculo é também uma oportunidade de colocar em crise certezas, linguagens e formas de olhar para o mundo.
OS SATYROS HOJE
Em 2026, Os Satyros seguem atuando a partir da Praça Roosevelt e expandindo suas atividades entre teatro, cinema, formação, pesquisa, festivais, dramaturgia e novas tecnologias.
São 37 anos de trajetória, mais de 140 espetáculos, presença em 36 países e mais de 130 prêmios e reconhecimentos.
Mas os números não dão conta de toda a história.
Há também uma praça transformada.
Há artistas formados.
Há novas companhias que nasceram desse ambiente.
Há espectadores que atravessaram décadas acompanhando o grupo.
Há dramaturgias publicadas.
Há filmes realizados.
Há festivais criados.
Há um cinema reaberto.
Há uma escola fundada.
Há ‘um pedaço’ da cidade que mudou.
E há uma companhia que continua investigando o que ainda não conhece.
UMA HISTÓRIA QUE CONTINUA
Desde 1989, Os Satyros trabalham a partir de uma pergunta que permanece atual:
o que pode o teatro?
Pode ocupar uma praça.
Pode provocar uma cidade.
Pode atravessar fronteiras.
Pode criar comunidades.
Pode formar artistas.
Pode transformar uma sala de cinema em território de resistência.
Pode dialogar com a tecnologia.
Pode inventar novas dramaturgias.
Pode olhar para o passado para compreender o presente.
Pode imaginar futuros que ainda não existem.
E pode, sobretudo, criar um lugar onde pessoas diferentes se encontrem para imaginar juntas.
É por isso que, depois de mais de três décadas, Os Satyros continuam em movimento.
Porque a história da companhia não é uma história encerrada.
É uma obra em processo.
Os Satyros.
Desde 1989.
Na Praça Roosevelt.
Em São Paulo.
No Brasil.
No mundo.
E sempre em transformação.
Cia. de Teatro Os Satyros
Praça Franklin Roosevelt, 214 – Consolação, São Paulo /SP